A temporada de 2025 da Fórmula 1 começou com um sopro de esperança para os fãs da Mercedes. Após dois anos de domínio intermitente de equipes como Red Bull e McLaren, as Flechas de Prata parecem estar de volta ao jogo, e o chefe da equipe, Toto Wolff, não escondeu sua animação ao revelar o que ele chama de “avanço revolucionário” no desenvolvimento do carro W16. Com George Russell garantindo dois pódios consecutivos nas primeiras corridas – Austrália e China – e o estreante Andrea Kimi Antonelli impressionando com uma pilotagem madura, a Mercedes está reacendendo o fogo de sua era dourada. Mas o que está por trás desse retorno promissor? Nos bastidores, a agitação é palpável, e Wolff deu pistas de que algo grande está acontecendo em Brackley.

A estreia da temporada em Melbourne já deu sinais de que a Mercedes havia feito o dever de casa durante o inverno. Russell terminou em terceiro, enquanto Antonelli, largando de 16º em condições traiçoeiras de chuva, escalou o pelotão para cruzar a linha em quarto – um feito que lhe rendeu o prêmio de “Piloto do Dia” votado pelos fãs. Na China, Russell repetiu o pódio, e Antonelli somou pontos valiosos com um sexto lugar. Esses resultados colocaram a Mercedes em segundo no Mundial de Construtores, apenas 21 pontos atrás da McLaren. Para Wolff, porém, o verdadeiro triunfo não está apenas nos números, mas na base sólida que o W16 oferece. “Academic: “É uma plataforma mais estável, diferente do que tínhamos no ano passado. A traseira era nosso calcanhar de Aquiles, mas agora ela trabalha em harmonia com a dianteira”, declarou Wolff em uma entrevista após o GP da China.

O austríaco, conhecido por sua visão estratégica e discurso calculado, não mediu palavras ao descrever o salto técnico dado pela equipe. “Encontramos um avanço revolucionário na forma como entendemos o carro. O W16 reage como esperamos aos ajustes, algo que nos escapou nos últimos anos. Não estamos no nível da McLaren ainda, mas estamos mais próximos do que nunca”, afirmou. Esse progresso é resultado de meses de trabalho intenso nos túneis de vento e simuladores de Brackley, onde os engenheiros, liderados por James Allison, focaram em eliminar as inconsistências que assombraram o W15 em 2024. A estabilidade aerodinâmica e a previsibilidade nas respostas do carro parecem ser as chaves desse renascimento.
Nos bastidores, especulações fervilham. Alguns sugerem que a Mercedes pode ter descoberto uma interpretação genial das regras atuais, algo que remete aos dias de glória da era híbrida, quando dominaram entre 2014 e 2021. Outros apontam para a chegada de Antonelli como um fator motivacional. Aos 18 anos, o italiano traz um frescor à equipe, mas também uma pressão enorme como substituto de Lewis Hamilton, que agora corre pela Ferrari. Wolff, no entanto, mantém os pés no chão: “Kimi está em uma curva de aprendizado íngreme, mas sua velocidade e compostura são impressionantes. Ele é o futuro, mas já está nos ajudando no presente.”
A próxima parada, o GP do Japão em Suzuka, entre 4 e 6 de abril, será um teste crucial. A pista, com suas curvas rápidas e exigentes, é um território onde a Mercedes historicamente brilhou – e onde Lawson, agora na Red Bull, tentará se recuperar de seu rebaixamento recente. Para Wolff, Suzuka será uma oportunidade de medir o progresso real contra rivais como McLaren, Red Bull e Ferrari. “Temos uma base sólida, mas o sucesso não vem de graça. Precisamos continuar extraindo performance”, alertou.
Enquanto os fãs sonham com uma disputa pelo título, o paddock está dividido. Alguns veem a Mercedes como a segunda força clara, outros acreditam que ela pode desafiar a McLaren já em 2025. O que é certo é que a agitação nos bastidores está apenas começando. Com um carro mais equilibrado, uma dupla de pilotos talentosa e a mente afiada de Toto Wolff, as Flechas de Prata estão prontas para escrever um novo capítulo. Será este o início de uma nova era de domínio? Só o tempo – e as próximas corridas – dirão.